5ª Semana da Páscoa — Terça-feira
Pense naquele momento em que você estava no chão — não literalmente, mas por dentro. Talvez depois de uma notícia que não esperava, de uma traição, de um projeto que desmoronou. E alguém chegou junto, ficou, e você conseguiu se levantar. Não porque a dor sumiu. Mas porque não estava sozinho.
Atos dos Apóstolos descreve uma cena brutal: Paulo é apedrejado, arrastado para fora da cidade, deixado por morto. Os discípulos o rodeiam. E ele se levanta. No dia seguinte, volta a pregar. Não como se nada tivesse acontecido — mas como alguém que encontrou algo mais forte do que o medo.
De volta às comunidades que tinha fundado, Paulo não ameniza o que espera os novos cristãos. Diz com clareza: "É preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus." Numa primeira leitura, parece duro. Mas há uma palavra fundamental ali: passemos. Plural. Juntos. O sofrimento não é negado — é acompanhado.
O Evangelho de João traz Jesus na véspera da Paixão, falando com os discípulos antes de se despedir. E a palavra que ele escolhe não é coragem, nem força, nem resistência. É paz: "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou." Mas ele imediatamente diferencia essa paz da que o mundo oferece. A paz do mundo depende de tudo estar bem — das circunstâncias favoráveis, da saúde, do trabalho, do relacionamento estável. A paz de Jesus existe dentro das circunstâncias adversas, não apesar delas.
"Não se perturbe nem se intimide o vosso coração." Jesus sabe que o coração vai ser sacudido. Ele não promete ausência de turbulência. Promete uma ancoragem que permanece quando a turbulência vem.
Vivemos num tempo em que a perturbação é o estado padrão. Notificações, crises, comparações, incertezas — tudo conspira para que o coração nunca descanse. E a resposta cultural é ou a negação (fingir que está tudo bem) ou a anestesia (não sentir nada). A paz que Jesus oferece é diferente das duas: é presença lúcida no meio da tempestade.
Paulo poderia ter desistido após o apedrejamento. Ninguém o censuraria. Mas ele voltou. Não porque era invulnerável, mas porque havia algo que o sustentava além da própria força — uma fé enraizada, uma comunidade ao redor, e uma certeza de que aquele sofrimento não era o fim da história.
Neste tempo pascal, a Igreja nos convida a viver a Ressurreição não como memória distante, mas como realidade presente. O Cristo ressuscitado não está só nos altares — está nos discípulos que rodeiam quem caiu, nas comunidades que nomeiam lideranças, nas pessoas que voltam a pregar mesmo depois de apanhar.
Para hoje: identifique onde seu coração está se perturbando — uma ansiedade que está carregando, um medo que está evitando olhar de frente. Traga isso para a oração de forma direta, sem rodeios. Não peça para o medo desaparecer. Peça a paz que Jesus promete — aquela que o mundo não consegue dar nem tirar. E se houver alguém ao seu redor que está no chão, seja um dos discípulos que rodeiam. Às vezes, presença é tudo.
Que Deus abençoe sua oração.