Você já teve aquela fase em que parecia que quanto mais certo você estava fazendo, mais gente torcia o nariz? No trabalho, uma ideia boa ignorada. Na família, uma decisão acertada que ninguém apoiou. Nas redes sociais, um posicionamento honesto recebido com hostilidade. Tem horas em que fazer a coisa certa dá uma solidão enorme.
Estamos na 5ª Semana da Quaresma, nos dias finais antes da Semana Santa. A liturgia vai ficando mais densa, mais urgente. E hoje, tanto Jeremias quanto Jesus aparecem cercados por gente que quer destruí-los — não apesar do que fizeram, mas justamente por causa do que fizeram.
Jeremias desabafa: "Ouço a murmuração de muitos; por todos os lados há quem me denuncie." Ele era profeta. Falava a verdade. E a verdade lhe custava amigos, segurança, paz. Repare que ele não estava errado — era exatamente por estar certo que incomodava. Mas no meio do desabafo, Jeremias encontra uma âncora: "O Senhor está comigo, como um guerreiro poderoso." Não diz que a dor passou. Não diz que ficou fácil. Diz que não está sozinho.
No Evangelho, Jesus vive algo parecido — só que mais radical. Os judeus pegam pedras para apedrejá-lo. E Jesus faz uma pergunta que desarma: "Muitas obras boas da parte do Pai vos mostrei. Por qual destas obras quereis apedrejar-me?" É uma pergunta que ecoa até hoje. Às vezes as pessoas não rejeitam você pelo que você fez de errado. Rejeitam pelo que você fez de certo — porque seu acerto ilumina o que elas preferiam não ver.
A resposta deles é reveladora: "Não é por obra boa que queremos apedrejar-te, mas por blasfêmia." Em outras palavras: o problema não é o que você faz, é quem você diz ser. Sua identidade os incomoda mais do que seus atos. E Jesus não recua. Não se desculpa por ser quem é. Ele diz: "Se não faço as obras de meu Pai, não acrediteis em mim; mas se as faço, acreditai nas obras."
É como se Jesus dissesse: olhem para os frutos. Não preciso convencer vocês com argumentos — olhem para o que minhas mãos produzem. A verdade sobre quem eu sou está no que eu faço.
Isso fala diretamente com quem está vivendo uma fase de incompreensão. Às vezes você gasta energia tentando se explicar para quem já decidiu não entender. E Jesus mostra outro caminho: continue fazendo. As obras falam. Os frutos convencem mais que qualquer discurso.
O Evangelho termina com um detalhe bonito: Jesus se retira para além do Jordão, para onde João batizava. E ali, longe do barulho, "muitos creram nele". Às vezes você precisa sair do lugar onde estão tentando te apedrejar para encontrar as pessoas que estavam esperando exatamente por você.
Hoje, se você está se sentindo incompreendido por estar fazendo a coisa certa, não gaste sua energia tentando convencer quem já pegou as pedras. Continue fazendo as obras. E confie: as pessoas certas vão reconhecer.
Que Deus abençoe sua oração.